segunda-feira, 27 de julho de 2015

A nômade | Psicose de bordo #2

 Boa noite, Psicótico!! Os posts sempre saem bem tarde né? Eu sei, eu deveria cuidar melhor dos meus horários, mas é impossível quando se está distraído ou entretido com algo, mas bem, hoje eu vim falar um pouquinho sobre mim e o processo de ida para o Japão. Légou!
 Honestamente eu queria evitar um pouco falar sobre o meu passado, mas é complicado falar sobre o meu futuro sem falar do meu passado, pois bem, um resumo que eu tenho certeza que ficará enorme de como foi minha infância adolescência: Eu nasci no interior do Paraná, Londrina e assim que nasci, fui direto para Santo André, na ABC de São Paulo, sendo franca, me lembro de pouca coisa dessa casa, apenas alguns episódios isolados e alguns até mesmo dolorosos. Morei na mesma casa durante cinco anos até que meus pais resolvem ir embora do país e ir para onde, para o Japão. No começo eu não fui com eles, decidiram que eu era pequena demais e fiquei aos cuidados de minha madrinha durante seis meses em uma pequena cidade perto de onde nasci, aprendendo sobre o mundo dos não filhos únicos. Bom, minha mãe decidiu que não queria ficar longe de mim e veio me buscar, honestamente nessa minha primeira viagem de avião eu apenas me lembro de um policial com cara amistosa que me chamou para ir para frente da fila, já que eu era pequena e com isso, tinha prioridade para entrar no avião.
  Já em um apartamento diferente, em um quarto diferente, eu sofri com o jet lag, chegamos de madrugada, mas logo as seis e meia da manhã eu estava acordada, em um quarto que não era nem o meu em Santo André e nem o da minha prima, na qual eu dividi quarto durante seis meses, era um quarto novo, mas não exatamente novo, no quarto ainda restavam móveis e brinquedos da antiga moradora da casa, o cheiro do quarto era agradável, me lembro dele até hoje, pela janela adentrava uma luz branca tranquilizadora, eu mexia e descobria sobre os brinquedos da antiga moradora daquele quarto, era um quarto com bastante luz, agradável de se ficar, brincando, dormindo, ou apenas olhando através da janela texturizada. Vivi naquele quarto por três anos, nesse período eu ganhei a minha primeira cicatriz, a minha primeira amiga de infância e sofri a primeira investida de bullying como chamam hoje, não que isso tenha me afetado mentalmente eu acho, eu fui uma criança comum que em algum momento na vida teve uma rival, só que essa pequena rival de sete anos era um tanto extremista e violenta. Hoje ela é uma moça saudável e bonita, eu espero.
  De volta ao Brasil, fiquei mais seis meses com a minha madrinha, dessa vez com a minha mãe junto, meu pai ficou para trás, era um recomeço para a minha mãe que lutava contra a crise no casamento e eu que não fazia ideia de nada do que ocorria na vida dela. Nos mudamos para a minha cidade natal e por lá fiquei mais dois anos, novas páginas foram adicionadas, mais duas amigas que cuido as vezes sem tanto zelo quanto elas merecem, mais dificuldades de socialização e algumas novas descobertas e hobbys, como musica, mangás, animes, filmes e virar as madrugadas assistindo propaganda da Polishop. Da janela do quarto que não era meu, mas no fim se tornou meu, nos dias em que eu me perdia em pensamentos que eu achava que eram profundos, eu podia assistir todo o trajeto da lua durante a noite naquela enorme janela do segundo andar de um prédio sobreloja. Eu nunca fui de prestar atenção nas coisas ao meu redor, então muitas vezes eu não notava pelo o que as pessoas passavam e provavelmente eu não ligava muito pra isso, por conta disso eu não percebia  os problemas matrimoniais dos meus pais, mas isso era algo que me fora ensinado que eu não tinha que saber de qualquer forma e eu aceitava que fosse assim. Nos fim dos dois anos meus pais decidiram que eu e minha mãe deveríamos voltar para o Japão, e assim foi feito.
  Mais dois anos no Japão, dessa vez eu me lembro melhor da viagem, o nojo adquirido pelos parisienses, a comida do avião, a chegada no aeroporto e a volta para o apartamento. Só que dessa vez não eramos apenas nós, eramos nós e mais um amigo do meu pai que dividia as despesas com ele e ele estava ocupando o quarto que um dia fora meu. Apenas me restou dormir na sala, a sala se tornou o meu quarto, e se fosse dizer que ela tinha alguma vantagem, eu as chamaria de ar-condicionado e varanda enorme, apenas. Esses dois anos foram importantes na construção da minha atual personalidade, o fechamento, a depressão, a visão de um mundo distorcido, o ganho de peso, o julgamento por todos os lados, a saída me fechando mais ainda, e ainda assim, eu consegui fazer alguns amigos, boa parte eu não consigo nem manter uma conversa que dure mais que vinte minutos, mas ainda assim, para mim, as memórias que eu tenho deles, são as melhores possíveis.
  Após os dois anos no Japão, eu voltei para o Brasil e cá estou desde então, oito anos depois, após cinco tentativas de retorno falhos, por diversos motivos, finalmente eu irei rumar sozinha para o "novo", e estou bastante satisfeita com isso. Nesses oito anos consegui mais quatro o cinco amigos bastante estimados que sofrem quase que diariamente com as minhas crises de mau-humor, minha personalidade novamente se modificou, transformando quase toda minha timidez em falta de vergonha na cara, mas minha expressão natural continua afastando as pessoas, nas quais estas sempre afirmam que parece que eu estou puta com algo, fazer o que, eu distraída naturalmente tenho essa expressão, não dá pra evitar.
  Mas bem, o agendamento para fazer o meu passaporte está logo ai pro meio do mês de agosto, espero que tudo dê certo para que eu possa começar o processo de pedido do Kohseki Tohon e do Certificado de Elegibilidade lá no Japão através da minha prima, por hoje é só. Como eu não tenho nenhuma imagem hoje para ilustrar este post, vou colocar um print da próxima resenha que eu estou preparando para amanhã, BEEEEEEEEEEEEEEZO, fui!


2 comentários:

  1. Nossa Nati, ta chegandooo...

    Japão... quantas memórias boas ne... quanta saudades, espero um dia depois que você for, eu poder ir te visitar lá!

    Ha... se você puder colocar como foi o processo burocrático... só a título de informação mesmo, claro, se você puder rsrsrs

    Ps. Vida bem nômade mesmo ne kkkkk

    Beijos

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  2. Eu sei, vou começar a fazer isso, por hora eu só fui lá fazer o meu passaporte então não tem como eu escrever muito sobre o processo, porque eu não lembro como foi nas primeiras duas vezes já que eu era menor de idade. ^^'

    Mas vou escrevendo aos poucos e ai faço um post especial só sobre isso ,Mih!!!


    Obrigada por vir me visitar!


    Beijos!

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