Honestamente eu queria evitar um pouco falar sobre o meu passado, mas é complicado falar sobre o meu futuro sem falar do meu passado, pois bem, um resumo
Já em um apartamento diferente, em um quarto diferente, eu sofri com o jet lag, chegamos de madrugada, mas logo as seis e meia da manhã eu estava acordada, em um quarto que não era nem o meu em Santo André e nem o da minha prima, na qual eu dividi quarto durante seis meses, era um quarto novo, mas não exatamente novo, no quarto ainda restavam móveis e brinquedos da antiga moradora da casa, o cheiro do quarto era agradável, me lembro dele até hoje, pela janela adentrava uma luz branca tranquilizadora, eu mexia e descobria sobre os brinquedos da antiga moradora daquele quarto, era um quarto com bastante luz, agradável de se ficar, brincando, dormindo, ou apenas olhando através da janela texturizada. Vivi naquele quarto por três anos, nesse período eu ganhei a minha primeira cicatriz, a minha primeira amiga de infância e sofri a primeira investida de bullying como chamam hoje, não que isso tenha me afetado mentalmente eu acho, eu fui uma criança comum que em algum momento na vida teve uma rival, só que essa pequena rival de sete anos era um tanto extremista e violenta. Hoje ela é uma moça saudável e bonita, eu espero.
De volta ao Brasil, fiquei mais seis meses com a minha madrinha, dessa vez com a minha mãe junto, meu pai ficou para trás, era um recomeço para a minha mãe que lutava contra a crise no casamento e eu que não fazia ideia de nada do que ocorria na vida dela. Nos mudamos para a minha cidade natal e por lá fiquei mais dois anos, novas páginas foram adicionadas, mais duas amigas que cuido as vezes sem tanto zelo quanto elas merecem, mais dificuldades de socialização e algumas novas descobertas e hobbys, como musica, mangás, animes, filmes e virar as madrugadas assistindo propaganda da Polishop. Da janela do quarto que não era meu, mas no fim se tornou meu, nos dias em que eu me perdia em pensamentos que eu achava que eram profundos, eu podia assistir todo o trajeto da lua durante a noite naquela enorme janela do segundo andar de um prédio sobreloja. Eu nunca fui de prestar atenção nas coisas ao meu redor, então muitas vezes eu não notava pelo o que as pessoas passavam e provavelmente eu não ligava muito pra isso, por conta disso eu não percebia os problemas matrimoniais dos meus pais, mas isso era algo que me fora ensinado que eu não tinha que saber de qualquer forma e eu aceitava que fosse assim. Nos fim dos dois anos meus pais decidiram que eu e minha mãe deveríamos voltar para o Japão, e assim foi feito.
Mais dois anos no Japão, dessa vez eu me lembro melhor da viagem, o nojo adquirido pelos parisienses, a comida do avião, a chegada no aeroporto e a volta para o apartamento. Só que dessa vez não eramos apenas nós, eramos nós e mais um amigo do meu pai que dividia as despesas com ele e ele estava ocupando o quarto que um dia fora meu. Apenas me restou dormir na sala, a sala se tornou o meu quarto, e se fosse dizer que ela tinha alguma vantagem, eu as chamaria de ar-condicionado e varanda enorme, apenas. Esses dois anos foram importantes na construção da minha atual personalidade, o fechamento, a depressão, a visão de um mundo distorcido, o ganho de peso, o julgamento por todos os lados, a saída me fechando mais ainda, e ainda assim, eu consegui fazer alguns amigos, boa parte eu não consigo nem manter uma conversa que dure mais que vinte minutos, mas ainda assim, para mim, as memórias que eu tenho deles, são as melhores possíveis.
Após os dois anos no Japão, eu voltei para o Brasil e cá estou desde então, oito anos depois, após cinco tentativas de retorno falhos, por diversos motivos, finalmente eu irei rumar sozinha para o "novo", e estou bastante satisfeita com isso. Nesses oito anos consegui mais quatro o cinco amigos bastante estimados que sofrem quase que diariamente com as minhas crises de mau-humor, minha personalidade novamente se modificou, transformando quase toda minha timidez em falta de vergonha na cara, mas minha expressão natural continua afastando as pessoas, nas quais estas sempre afirmam que parece que eu estou puta com algo, fazer o que, eu distraída naturalmente tenho essa expressão, não dá pra evitar.
Mas bem, o agendamento para fazer o meu passaporte está logo ai pro meio do mês de agosto, espero que tudo dê certo para que eu possa começar o processo de pedido do Kohseki Tohon e do Certificado de Elegibilidade lá no Japão através da minha prima, por hoje é só. Como eu não tenho nenhuma imagem hoje para ilustrar este post, vou colocar um print da próxima resenha que eu estou preparando para amanhã, BEEEEEEEEEEEEEEZO, fui!
Nossa Nati, ta chegandooo...
ResponderExcluirJapão... quantas memórias boas ne... quanta saudades, espero um dia depois que você for, eu poder ir te visitar lá!
Ha... se você puder colocar como foi o processo burocrático... só a título de informação mesmo, claro, se você puder rsrsrs
Ps. Vida bem nômade mesmo ne kkkkk
Beijos
Eu sei, vou começar a fazer isso, por hora eu só fui lá fazer o meu passaporte então não tem como eu escrever muito sobre o processo, porque eu não lembro como foi nas primeiras duas vezes já que eu era menor de idade. ^^'
ResponderExcluirMas vou escrevendo aos poucos e ai faço um post especial só sobre isso ,Mih!!!
Obrigada por vir me visitar!
Beijos!